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O que é Arquitetura sustentável?

Por Arq. Me. Iberê Moreira Campos equipe


Além da necessidade de atrair os consumidores, a atitude reflete um movimento que cresce ano a ano: o da consciência sobre a necessidade de preservação do ambiente natural. Sabe-se que não há como construir sem causar impacto, mas sempre é possível reduzir os danos e, quando estes forem inevitáveis, deve-se pensar numa compensação. É a partir deste pensamento que surge o conceito da arquitetura sustentável, com suas várias tendências. Não se pode confundir arquitetura sustentável com bioclimática ou ecologia - são ciências correlatas, mas diferentes.

Como no caso das epífitas (plantas que vivem sobre os troncos de outras plantas, como as orquídeas, por exemplo), a natureza oferece o suporte para a arquitetura. O relacionamento harmonioso foi estabelecido e, assim como na natureza, a presença de epífitas não prejudica a árvore onde elas vegetam: o respeito pelo ambiente natural foi primazia na construção

O apelo ecológico vem norteando diversos projetos arquitetônicos, tanto em empreendimentos residenciais quanto comerciais e industriais. Além de uma legítima preocupação com o meio ambiente e a diminuição do consumo de energia, existe também um lado puramente comercial, por ser “politicamente correto”. Assim, o mercado oferece desde tintas a base de água - não tão ecológicas assim, segundo os especialistas - até fios que não provocam fumaça tóxica, passando por vasos sanitários econômicos e sistemas alternativos de tratamento de água e de geração de energia.

Atualmente, entende-se por ARQUITETURA SUSTENTÁVEL um conjunto de tecnologias que envolvem especialidades distintas como a engenharia civil e filosofia. Para quem se lembra, a arquitetura sustentável é uma vertente da idéia expressa em 1987 no Informe Brundtland. Prega-se o uso dos recursos disponíveis na natureza para atender as necessidades de sobrevivência do Homem, mas, ao mesmo tempo, preservando o planeta para gerações futuras, com atitudes sustentadas por um tripé – as soluções devem ser SOCIALMENTE justas, ECOLOGICAMENTE corretas e ECONOMICAMENTE viáveis.

O conceito de sustentabilidade pode (e deve) estar presente em todas as etapas de uma edificação, desde o projeto até seu uso diário, passando pela construção propriamente dita, que deve usar métodos e materiais que não comprometam o meio ambiente, tanto do local propriamente dito da obra quanto das origens de onde os materiais foram extraídos, beneficiados ou fabricados.

O custo das opções adotadas no projeto e na construção pode variar muito, indo de zero a milhões. Depende do nível de informação, do conhecimento e da disposição de quem está projetando e construindo. Neste contexto, o trabalho do arquiteto é importante, pois ajuda a reunir informações que podem estar pulverizadas entre várias especialidades, mas necessitam trabalhar em conjunto, devendo ser previstas antes do início da obra.

Os defensores da arquitetura sustentável garantem que é possível aderir ao movimento sem gastar fortunas na busca de materiais ditos "ecológicos", ou ter que se aventurar usando materiais alternativos. Para tanto, existem algumas recomendações básicas como, por exemplo:

Fundação e estrutura – Usar cimento tipo CP-3 RS32 ao invés do CP-2. Além do CP-3 ser em torno de 15% mais barato, sua composição utiliza entre 35% a 70% de escória da siderurgia, ou seja, resíduos do processo de produção do aço. O CP-3 é mais resistente à ação de substâncias ácidas, sendo, portanto indicado para construções nas regiões litorâneas. Sua fabricação permite economia no consumo de calcário e uma menor emissão de gás CO2.

Argamassa - Usar cal posolânica nas massas de assentamento e de reboque. Este tipo de cal tem 70% de rocha mineral finamente moída em sua composição, o que dispensa o processo de queima na produção, economizando água. Para assentamento de alvenaria, o traço da mistura fica mais econômico - 1 parte de cimento para duas de cal posolânica e 8 de areia. Para o reboco, diminuir a quantidade de areia para 6 partes.

Paredes – Devemos preferir materiais à base de terra. Eles permitem melhor “respiração” das paredes, muito superior àquelas feitas com blocos de concreto. O ideal é usar tijolos de solo-cimento que, dependendo do modelo, podem até dispensar a argamassa no assentamento. Este tijolo não precisa usar fogo para ser produzido, e já vem com orifícios para passagem da fiação elétrica e da rede hidráuli ca. Se não for possível usar solo-cimento, podemos usar, por ordem de preferência, o tijolo de barro cozido, bloco cerâmico e, por último, o de concreto.

Esquadrias – Dê preferência as de madeira – de média ou alta densidade, para aumentar a durabilidade. O consumo de energia para fabricar uma esquadria de madeira chega a ser 5 mil vezes menor do que as de alumínio e, de quebra, melhora o conforto térmico da construção. Entretanto, é preciso um tratamento adequado para impedir a degradação da esquadria. Uma solução caseira consiste em passar duas demãos de óleo de linhaça nas que ficarão expostas ao meio ambiente e, se a solução arquitetônica estiver prevendo pintura, usar esmalte sintético à base de água.

Revestimentos - Prefira produtos à base de água pois agridem menos o meio ambiente, a camada de ozônio, o profissional que vai aplicar o revestimento e, claro,o morador... Hoje existem diversas tintas com estas características, além de vernizes, colas de contato e resinas. Use estes esmaltes sintéticos também para pintar metais e batentes. Para pisos e nas paredes do banheiro e da cozinha opte por cerâmicas e azulejos com o certificado ISO 14001, o que significa que o fabricante adota medidas de controle sobre o sistema produtivo de forma a ter menos impacto ecológico. Quando possível, use madeira ao invés de cerâmicas nos pisos.

Cobertura - Preferência para telha simples, de barro queimado, ao invés das esmaltadas - o arquiteto pode tirar proveito de sua aparência mais rústica.

Publicado em 17/03/2009 às 18:33 hs, atualizado em 28/06/2016 às 17:34 hs


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